O blog Digestivo Cultural publicou uma interessante entrevista com Cássio de Arantes Leite, tradutor de O livro de Dave, obra do escritor britânico Will Self. Entre outras coisas, a entrevista revela que a obra foi rejeitada por vários tradutores em todo o mundo que não toparam o desafio de traduzi-lo. O tradutor também conta como foi o processo da tradução desse livro e conversa sobre más traduções e sobre o mercado editorial.
A entrevista toda vale a pena ser lida, mas destaco a última pergunta, em cuja resposta o tradutor oferece conselhos para quem quer seguir a carreira de tradutor literário:
O que um tradutor iniciante ou aspirante a tradutor deve fazer para ser um bom profissional? Você tem algum conselho (ou mais de um) para quem está começando a carreira agora? Apenas ter conhecimento fluente da língua que pretende traduzir basta ou é preciso ser, também, um bom leitor ? leia-se ter bagagem literária?
A principal qualidade do bom tradutor, a meu ver, não é saber “falar a língua” (ou a marinha mercante estaria cheia de tradutores…), mas dominar o próprio idioma, em todos os níveis discursivos. Quem não lê não pode aspirar a escrever. E também não adianta ler Paulo Coelho, Crepúsculo, Harry Potter, O Código Da Vinci e todo esse fast-food obscurantista tão em voga por aí. A leitura precisa ser de alto nível.
Mas é tão possível ensinar a ler quanto ensinar a escrever. Ou seja, não é: essas coisas não se ensinam, só se aprendem.
Claro que ajuda também o grau de desenvoltura que ele mostra no entendimento da língua que vai traduzir, em qualquer registro: culto, coloquial, formal, técnico etc. Mas ninguém sabe tudo, e o tradutor não pode ter preguiça de ir atrás. O pior pecado é achar que entendeu ou acochambrar, dar um jeitinho na tradução.
O tradutor iniciante que é um leitor ávido de boa literatura, consumidor de informação, esponja de cultura pode tirar grande proveito de comparações entre originais e traduções, observando as soluções encontradas por outros tradutores (assim como seus erros, também). É o único aprendizado “específico” que me ocorre.
Já sobre a parte financeira, bom, essa é melhor nem falar, pra não desestimular…
Para ler a entrevista completa, visite o Digestivo Cultural.
Para saber mais sobre O livro de Dave, clique aqui.
(Obrigado à Gisele, leitora do blog que chamou minha atenção para a entrevista!)
Dica:
Em abril/2010 foi lançado “Fidus interpres: a prática da tradução profissional“, livro de 256 páginas sobre o mercado de tradução. Clique na imagem abaixo para saber mais informações sobre o livro:
Biblioteca do tradutor: | Translator's Bookshelf:
Olá, estou deixando esta mensagem porque a área de tradução me interessa muito e este espaço foi muito instrutivo para mim, respondendo algumas das muitas dúvidas que eu tenho sobre essa área, porém de todas as dúvidas que eu tenho, acho que a pior é como montar meu currículo sem experiência profissional na área.
Estou ciente que só o domínio da língua não é suficiente, mas é tudo o que tenho, pois não posso bancar um curso especializado, mas poso dizer que “me garanto” no caso de um teste, porque o que sei é uma mescla de curso de idiomas, auto-didatismo, leitura, de verdade, não “fast-food” e vontade.
Entendo que isto pode soar pedante e quase patético,mas eu sei que tenho jeito prá isso e gostaria de ma base prá começar de qualquer jeito em qualquer lugar.
Obrigado por sua atenção, espero que eu possa obter uma resposta que me dê uma ideia de como e o que fazer.