De um lado, isso é sinal da escassez de fontes de terminologia especializada em idioma português (dicionários, páginas da web, artigos de especialistas etc.). Parece que as editoras de dicionários simplesmente não têm interesse em fomentar o mercado de obras de tradução para o português e até mesmo obras terminológicas monolíngües. Compare, por exemplo, a quantidade de ótimos dicionários jurídicos (eletrônicos!) disponíveis em idioma espanhol. Ou a quantidade de excelentes dicionários técnicos em alemão. Ou ainda a quantidade de bons dicionários especializados de qualquer natureza disponíveis no par de idiomas inglês-espanhol. Será que não haverá mercado para obras desse tipo em português?
E de outro lado, o uso de uma língua de apoio é bom, porque amplia o universo e a perspectiva do tradutor. Mas é preciso que o tradutor domine bem as técnicas de pesquisa (e os idiomas de pesquisa) para não ser vítima de erros de julgamento (ser enganado por falsos cognatos insuspeitos, achar que os autores de determinadas fontes têm autoridade suficiente para escrever sobre o assunto etc.). Além disso, trabalhar com uma língua de apoio demanda tempo considerável para fazer as devidas comparações. E tempo, no ritmo frenético do mercado internacional de tradução, é o que os tradutores menos têm.
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