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Sua Majestade, o intérprete [His Majesty, the interpreter]

2009-02-08 15:41 (Germany) | By Fabio M. Said | Categories: interpreting|interpretação, português

Faz tempo que não falo de intérpretes ou de interpretação aqui. Para preencher esta lacuna, hoje vou dar uma dica para quem deseja conhecer um pouco mais sobre a carreira de intérprete.

Antes, porém, aviso que já publiquei um artigo sobre as diferenças entre tradutores e intérpretes (está aqui) e vários artigos e vídeos sobre a carreira de intérprete (um deles está aqui e outro aqui). Enfim, tudo sobre intérpretes e interpretação já publicado neste blog está reunido na categoria interpretação.

A dica de hoje é um livrinho bem despretensioso, mas extremamente útil, muito bem escrito e com bastante informação e humor, feito especialmente para quem quer conhecer de perto detalhes sobre a profissão de intérprete. O livro se chama “Sua Majestade, o Intérprete: O fascinante mundo da tradução simultânea” (foto ao lado).

O autor é Ewandro Magalhães Junior, tradutor e intérprete de Brasília com muitos anos de experiência, atualmente em temporada de aperfeiçoamento nos Estados Unidos. Ewandro, aliás, escreve um blog muito interessante em inglês, o Field Notes.

Em cada capítulo do livro, há uma pitada de humor e uma dose de informações fascinantes. Há um pouco de história da interpretação, um pouco sobre associações profissionais para intérpretes, um pouco de bastidores da interpretação no Brasil e muito sobre a experiência pessoal do autor na área. E tudo isso em apenas cerca de 230 páginas em formato de livro de bolso. Leitura com diversão e informação garantidas!

Para que vocês sintam o gosto do livro, vejam aqui alguns de meus trechos favoritos:

“O intérprete tem que ouvir e falar ao mesmo tempo, repetindo em outra língua palavras e idéias que não são suas, sem perder de vista o conteúdo, a intenção, o sentido, o ritmo e o tom da mensagem transmitida por seu intermédio. Não tem qualquer controle sobre a complexidade, a velocidade, a clareza ou a lógica do apresentador.” (pp. 19-20)

“Entre intérpretes, chamar um colega de tradutor é quase uma ofensa. De fato, a denominação correta é ‘interpretação simultânea’ e mais acertado seria dizer sempre intérprete e não tradutor (…) Na verdade, traduzir e interpretar são verbos e ações que se interpenetram. Uma coisa não existe sem a outra. A distinção terminológica cumpre apenas um fim didático e só é valorizada mesmo por intérpretes e tradutores. As pessoas que assistem ao trabalho de interpretação, e o aplaudem, não ligam para isso. Para elas, alias, é ‘tradução simultânea’ e pronto. Portanto, a escolha entre uma ou outra forma depende, em parte, de com quem estejamos falando.” (pp. 25-6)

“Se analisarmos bem os temores mais freqüentes na mente de um intérprete iniciante, veremos que são, em sua maioria, sociais e circunstanciais, e não receios técnicos. Decorrem quase todos da insegurança em relação a um ofício que ainda não se conhece bem (…) No início da carreira, o que mais nos mete medo é o público. Quanto mais gente na platéia, pior. E se alguém vira a cabeça para trás, então, para procurar o intérprete dentro da cabine, aí aquele restinho de confiança que ainda resistia escorre pelo ralo. E bem podia ser um olhar de admiração!” (pp. 64-5)

Mais informações sobre o livro “Sua Majestade, o Intérprete”: clique aqui

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One comment
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  1. Mais uma dica imperdível!
    Obrigada!

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