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Mestres da tradução no Brasil: Boris Schnaiderman [Great figures in the history of Brazilian translation: Boris Schnaiderman]

By Fabio M. Said | Mar 3, 2009 | Categories: português, translation|tradução | 0 comments


Boris SchnaidermanBoris Schnaiderman nasceu em 1917 na cidade de Úman, na Ucrânia. Pouco depois, a família se mudou para Odessa, onde o pequeno Boris viveu até os oito anos de idade. Ainda em Odessa, em 1925, Schnaiderman foi testemunha, sem saber, das filmagens de “O Encouraçado Potemkin”, obra-prima do cineasta Sergei Eisenstein. No mesmo ano, a família emigrou para o Brasil.

Mais tarde, Schnaiderman ingressou na Escola Nacional de Engenharia, formando-se engenheiro agrônomo. Trabalhou como engenheiro agrônomo por imposição da família. Paralelamente, nos anos 1940, começou a atuar como tradutor do russo, sob o pseudônimo Boris Solomonov, ocasião em que traduziu A fossa, de Aleksandr Kuprin, e Os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski, entre outros. Ao contrário da maioria das traduções de obras russas publicadas até então no Brasil, as traduções de Schnaiderman partiam diretamente do russo.

Em 1944, foi convocado para lutar na Segunda Guerra Mundial. Sua participação como sargento de artilharia e controlador de tiro da Força Expedicionária Brasileira deu origem ao romance com toques autobiográficos Guerra em surdina, que Schnaiderman publicou em 1964.

Após o retorno da guerra, continuou traduzindo obras do idioma russo para o português. Traduziu autores como Tolstói, Tchekhov, Púchkin, Górki, Maiakóvski, Bábel e outros. Tinha preferência, entretanto por Tolstói e Dostoiévski.

Em 1960, foi contratado pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP) e passou a trabalhar no curso livre de língua e literatura russa. Em 1963, o curso foi incorporado ao Departamento de Línguas Orientais e passou a ser curso regular da faculdade. Boris Schnaiderman foi o primeiro professor de língua e literatura russa da USP. O pioneirismo do curso incentivou a criação de outros cursos semelhantes em outros lugares do país. Porém, no período imediatamente posterior ao golpe de 1964, o curso da USP foi o único que continuou em funcionamento, devido ao forte estigma que passou a ter a cultura russa no Brasil do final dos anos 60. Schnaiderman teve confrontos com a ditadura militar e no auge desse conflito foi preso em sala de aula.

Na USP, Schnaiderman obteve os títulos de doutor e livre-docente. Além de criar o curso de língua e literatura russa, estimulou o estudo da tradução literária daquele idioma. Aposentou-se em 1979, mas continuou dando aulas na pós-graduação, orientando teses e divulgando a literatura russa em sua produção literária e tradutória, na imprensa e em palestras pelo Brasil afora [em uma destas eu o tive o privilégio de ouvi-lo pessoalmente]. Por seu pioneirismo e atuação incansável, é considerado um dos maiores tradutores do Brasil.

Em 2003, recebeu o Prêmio de Tradução da Academia Brasileira de Letras. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever sobre tradução e revisar suas traduções antigas, um dos hábitos que mais tem cultivado em sua vida como tradutor literário.

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